terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

morrer não é desaparecer

ou de como fazer desaparecer quem não nos quer bem


Eu sou daquele tipo de rapaz que manda mensagens por tudo e por nada.

"Estou a tomar o pequeno-almoço, entornei o leite todo."
"Vou-me deitar."
"Vi fulano x na rua e disse-lhe olá."

A maior parte das vezes fico sem resposta, o que não me incomoda. Sei que, no meu grupo de amigos, sou um dos muito poucos que vive com o telemóvel colado à mão e que envia mensagens às 4 da manhã. Aliás, nem sei como ainda não os perdi por tamanha falta de respeito por horários e privacidade. Sei que leem a mensagem, espero que sorriam e pensem "sempre o mesmo, este David"

Vamos supor que tenho 1000 SMS no telemóvel (número nada exagerado, garanto-vos): 750 são as que envio, 250 as que recebo. E vamos esquecer o e-mail, que esse então daria para mais uns bons três parágrafos. Sou assim, gosto de falar e de partilhar.

Há tempos, no entanto, decidi (com grande sacrífico) deixar de enviar as minhas mensagens sobre as trivialidades do meu dia a dia, mensagens de "bom dia alegria" e mensagens "soninho feliz"! Confesso que me magoou o reduzido número de pessoas que estranhou tal facto, apenas três ou quatro acusaram a falta dos meus disparates. A esses voltei a encher-lhes a caixa de mensagens com disparates, desvaneios, e inseguranças. Aos outros, nem lhes sinto a falta. É o ano do Dragão a trilhar-me o caminho! =)

Quanto à morte, esse assunto é-me tão familiar, infelizmente. Perdi a grande figura da minha vida há um ano. Todos os dias sinto a sua falta. Mas continuo a falar com ela, ainda não apaguei o número de telefone da minha agenda (deseja apagar Avó Mariana? - É pergunta à qual nunca diria sim). Sonho com ela, choro a sua ausência mas sei que nunca me abandonou, tal como eu nunca a abandonei a ela. A essas pessoas sim, sinto-lhe a falta todos os dias. Acordo e dou-lhe os bons dias e, em intermináveis monólogos, conto-lhe tudo o que de bom e mau se passa na minha vida. Apenas sofro com a ausência de resposta, dos seus sempre tão sábios e acertados conselhos.

Vó, se no céu a ligação à Internet for boa, este é para ti.

PS: Quantas e quantas vezes ela me ligou em pânico porque a torre do PC tinha uma luz acesa... Isso deixava-a louca! Era essa luz e o facto de, que eu sou rapaz do MS/DOS, eu dar pouco uso àquela coisinha pequena (o rato). Se não me fazia falta porque raio tinha eu um.

A saudade é cada vez maior, estou sentado e imagino-te (enquanto choro) a beijar-me a testa como sempre fazias. "E não fiques até tarde a ver televisão!" (tarde eram as 22 horas!)

Amo-te muito e fazes-me muita falta.

6 comentários:

  1. Enquanto houver quem se lembre de quem partiu, nunca desaparecerão. Mas é difícil lidar com as saudades de quem já não está entre nós, pela falta que nos fazem. O que não deixa de ser de um certo egoísmo (compreensível) - viveram, deram o seu melhor, amaram-nos. E tenho a certeza que nos continuam a amar e a velar por nós. E de certeza que não quer ver-te chorar :)

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  2. Foi no 13 de fevereiro, fez um ano que partiu :,( e aproxima-se o 22 de abril, data do seu aniversário! Tinha uma avó touro =)

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  3. e são essas memórias que dão lugar ao sorriso enquanto limpamos as lágrimas!

    (p.s.: sai um like para o banner)

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  4. É inexplicável e nenhuma palavra de conforto, que vos agradeço, ajuda a preencher tal vazio...

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